Qual é o melhor tubo para a canalização de uma casa?

Para a rede de água fria e quente de uma moradia ou apartamento, o multicamada com coletores é, na nossa experiência, a escolha mais segura: mantém a forma, dilata pouco e usa acessórios prensados. O PEX é melhor onde é precisa muita flexibilidade, como no piso radiante. O PPR é uma boa opção em obra nova, com equipas habituadas à soldadura. O cobre continua a ser o material certo para temperaturas altas, como o circuito dos painéis solares.

  • Multicamada: dilata cerca de 0,025 mm por metro e por grau; 10 bar a 70 °C em contínuo
  • PEX: muito flexível; para aquecimento, com barreira de oxigénio
  • PPR: soldado por termofusão; série PN20 para água quente; dilata cerca de 0,15 mm/m·°C
  • Cobre: aguenta temperaturas altas; nunca a montante de ferro galvanizado
  • Diâmetros habituais: 16 mm para cada ponto, 20 a 25 mm nas alimentações, 32 mm em prumadas
  • Regra de ouro: tubo e acessórios do mesmo sistema e ensaio de pressão antes de fechar

Os quatro materiais em resumo

MaterialNormaComo se uneDilataçãoOnde é mais forte
MulticamadaISO 21003Acessórios prensadosCerca de 0,025 mm/m·°CRedes de água fria e quente com coletores
PEXISO 15875Acessórios prensados ou de compressãoCerca de 0,14 mm/m·°CPiso radiante e passagens longas e difíceis
PPRISO 15874Soldadura por termofusãoCerca de 0,15 mm/m·°CObra nova com equipa habituada a soldar
CobreEN 1057Soldadura capilar ou acessórios prensadosCerca de 0,017 mm/m·°CTemperaturas altas e ligações a equipamentos

Dilatação: valores típicos das fichas técnicas de Giacomini (multicamada), Wavin (PEX) e Firat (PPR simples); o PPR reforçado com fibra dilata bastante menos. Cobre: propriedade do material.

A dilatação, em números

Um troço de 10 metros de tubo de água quente que passa de 10 °C para 60 °C alonga:

  • Cobre: cerca de 9 mm
  • Multicamada: cerca de 12 mm
  • PEX: cerca de 70 mm
  • PPR simples: cerca de 75 mm

Sete centímetros num troço de 10 metros têm de ir para algum lado. Num tubo embutido na parede, o próprio material absorve o esforço. À vista, em tetos falsos ou em courettes, é preciso prever liras de dilatação e pontos fixos. É uma das razões por que preferimos o multicamada para a água quente.

Multicamada

É um tubo de plástico com uma camada de alumínio no meio, colada por dentro e por fora (PEX-AL-PEX ou PE-RT-AL-PE-RT). O alumínio dá-lhe três vantagens: mantém a forma quando se dobra à mão, dilata pouco e impede a entrada de oxigénio. Os acessórios prensados fazem uniões rápidas e sempre iguais.

O tubo multicamada da Uponor, por exemplo, trabalha em contínuo até 70 °C a 10 bar e aguenta 95 °C em situações de avaria pontuais. É mais do que uma casa alguma vez pede.

Onde pode correr mal: nas uniões. O tubo tem de ser cortado a direito, calibrado e chanfrado, e prensado com a ferramenta e o perfil certos. Tubos baratos podem descolar entre camadas. Tubo e acessórios devem ser do mesmo sistema: é isso que garante a estanquidade e a garantia do fabricante.

PEX

Polietileno reticulado, muito flexível, vendido em rolos compridos. Permite troços longos sem uniões, o que é ideal debaixo de um pavimento. Montado dentro de uma manga, pode em certos traçados ser trocado sem abrir paredes.

Não mantém a forma: precisa de mais fixações e de guias nas curvas. Para aquecimento, como no piso radiante, tem de ter barreira de oxigénio, para proteger a bomba de calor ou a caldeira da corrosão. É o que usamos no piso radiante, com tubo Uponor.

PPR

Polipropileno, unido por termofusão: o tubo e o acessório são aquecidos e fundidos, e a união fica uma peça só. Não corrói, é resistente e encontra-se em qualquer armazém. Para água quente usa-se a série PN20, de parede grossa.

As limitações vêm do próprio material. É rígido, dilata muito (o PPR com fibra resolve parte disso) e as paredes grossas reduzem a passagem interior para o mesmo diâmetro exterior. A qualidade das uniões depende da mão de quem solda: tempo de aquecimento, profundidade de encaixe e alinhamento. Precisa também de espaço à volta para trabalhar, o que numa casa já construída nem sempre existe.

Cobre

O material clássico continua a ter o seu lugar. Aguenta temperaturas muito altas, é rígido (fica bem à vista), não arde e dura décadas. Por isso o usamos sempre no circuito primário dos painéis solares, onde o fluido pode passar muito acima de 100 °C quando o sistema fica parado ao sol.

Exige mais mão de obra e soldadura a quente, conduz calor (tem de ser bem isolado) e não gosta de águas agressivas nem de velocidades altas. Numa reabilitação, há uma regra que não se pode esquecer: cobre nunca a montante de ferro galvanizado, porque acelera a corrosão do ferro.

Está a planear uma obra?

Na fase de projeto ou de orçamento dizemos-lhe que material e que diâmetros fazem sentido para cada rede da casa, e porquê. Trabalhamos com construtoras e particulares em todo o Algarve, com tubagem Uponor.

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Que tubo em cada parte da casa

AplicaçãoO que usamosPorquê
Do coletor a cada ponto de águaMulticamada 16 mmMantém a forma e não tem uniões pelo caminho
Alimentações principais e coletoresMulticamada 20 a 32 mmCaudal suficiente com pouca dilatação
Piso radiantePEX Uponor com barreira de oxigénioRolos longos, sem uniões debaixo do pavimento
Circuito primário dos painéis solaresCobreTemperaturas muito altas quando o sistema para ao sol
Ligações a depósitos e bombas de calorCobre ou multicamadaConforme a temperatura e o equipamento
Rede enterrada e rega dentro do lotePEADFeito para ir enterrado e para grandes comprimentos

Em moradias, o mais habitual é 16 mm de cada ponto ao coletor, 20 ou 25 mm nas alimentações e 32 mm em prumadas e casas grandes. O diâmetro certo sai do cálculo dos caudais da casa. Tubo grosso demais também é um erro: aumenta a água fria que corre antes de chegar a quente, como explicamos no guia a água quente demora a chegar.

O que pesa mais do que o material

Vemos mais problemas causados por instalação do que por material. Estas regras valem para os quatro:

  • Tubo e acessórios do mesmo sistema, com a ferramenta indicada pelo fabricante.
  • Coletores acessíveis, para cortar cada circuito sem cortar a casa.
  • Água quente isolada. Em edifícios novos ou renovados, a Portaria n.º 138-I/2021 obriga a isolar as redes de água quente.
  • Transições entre materiais com acessórios próprios, sobretudo em reabilitação.
  • Ensaio de pressão antes de fechar paredes: 10 bar durante 24 horas.
  • Fotografias de todos os traçados antes de tapar.

Se está a pensar trocar a canalização de uma casa existente, o guia substituir a canalização de uma casa antiga explica como reconhecer o que tem nas paredes e como corre a obra.